Estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma agenda mundial com 17 metas. Com a adesão de mais de 190 países, incluindo o Brasil, os ODS objetivam erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima, e garantir paz e prosperidade para todos.
O veganismo está diretamente alinhado com essa agenda, pois a adoção de uma alimentação vegana tem grande potencial para promover a justiça social e a proteção ambiental. Na sequência, vamos demonstrar que o veganismo, além de uma escolha ética e de respeito aos animais, também tem o poder de impactar positivamente questões globais urgentes, como a fome e as mudanças climáticas.
O primeiro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pelas Nações Unidas visa erradicar a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. Até 2030, algumas metas desse objetivo incluem: (i) assegurar que todos, especialmente os pobres e vulneráveis, tenham direitos iguais aos recursos econômicos, acesso a serviços básicos, propriedade e controle sobre a terra; (ii) reduzir a exposição e vulnerabilidade dos mais pobres a eventos climáticos extremos (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2024). O veganismo se relaciona profundamente com o alcance do ODS 1, pois tem grande potencial para fortalecer economias locais, garantir a dignidade de todos e reduzir a vulnerabilidade a eventos extremos.
A indústria da carne, historicamente associada a grandes latifúndios e à propagação de monoculturas, concentra o lucro nas mãos de poucos, perpetuando a exclusão social e limitando as oportunidades para a população rural. Um estudo da Oxfam (2019) revelou que menos de 1% das propriedades agrícolas detém quase metade da área rural brasileira, enquanto milhões de pequenos agricultores familiares lutam por acesso à terra e condições dignas de vida. Além disso, segundo Mitidiero Jr. & Goldfarb (2019), municípios marcados pelo agronegócio têm menor nível de desenvolvimento humano no Brasil. Mesmo em regiões com produção agropecuária pujante, como Centro-Oeste, Sul e Sudeste, não há aumento no nível de desenvolvimento dos municípios quando comparados àqueles que têm outra atividade econômica principal.
A pecuária também se destaca pela exploração do trabalho de populações mais vulneráveis, evidenciada pela notável relação entre a indústria da carne e o trabalho escravo contemporâneo no Brasil. Historicamente, no país, a maioria dos casos de trabalho escravo ocorre na zona rural, com a pecuária concentrando o maior número de casos. O setor foi responsável por mais da metade dos casos de trabalho escravo identificados no Brasil entre 1995 e 2020 (REPÓRTER BRASIL, 2021). Essa realidade reforça as disparidades sociais e impede o desenvolvimento humano digno no campo. Como resultado, dados do Banco Mundial revelam que, entre 2000 e 2022, o percentual de habitantes do Brasil que vivem no campo caiu 33,8%. Globalmente, a redução foi de 19,2% (BRASIL DE FATO, 2024).
Além disso, o agronegócio está historicamente relacionado a práticas ilegais como a grilagem de terras — ou seja, o processo de fraude e falsificação do título de propriedade de grandes extensões de terras. Essa prática inclui a apropriação de terras públicas por latifundiários para a produção de commodities como gado e soja (usada para a produção de ração animal), frequentemente em territórios camponeses e indígenas (JAKIMIU, 2022). Adicionalmente, com o avanço das monoculturas — que causam desmatamento, reduzem a biodiversidade, poluem o ambiente através do uso de agrotóxicos e esgotam recursos hídricos —, essas populações sofrem com pobreza e insegurança alimentar. A dimensão do problema fica clara quando consideramos que, no Brasil, o agronegócio já ocupa 50% do Cerrado (MAPBIOMAS, 2023) e que 90% das áreas desmatadas na Amazônia são destinadas à agricultura (UFMG, 2023).
No que diz respeito aos eventos climáticos extremos, o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima – IPCC (2023), que representa o consenso de grande parte da comunidade científica internacional, afirmou que as emissões de gases de efeito estufa (GEE) resultantes de atividades humanas têm aumentado a frequência e intensidade de eventos extremos. Consequentemente, pode-se afirmar a contribuição relevante da pecuária para a ocorrência de extremos climáticos, dadas as elevadas emissões de GEE do setor. De acordo com dados da UNEP (2023), as emissões do setor pecuário representam 18% das emissões globais. No Brasil, em 2022, 57,2% das emissões totais de GEE do país vieram apenas da cadeia produtiva de carne bovina (SEEG, 2023).
Ainda segundo o IPCC (2023), as comunidades vulneráveis, que historicamente contribuíram menos para a atual mudança climática, são desproporcionalmente afetadas pelos eventos extremos. Mais de 3 bilhões de pessoas vivem em contextos altamente vulneráveis às mudanças climáticas. Os impactos mais adversos são observados em comunidades empobrecidas na África, Ásia, América Central e do Sul, bem como globalmente entre povos indígenas, pequenos produtores de alimentos e famílias de baixa renda. Não por acaso, os países periféricos se apresentam como palco de mais de 70% dos desastres registrados mundialmente (FIALA, 2017). Esse cenário está diretamente relacionado ao que muitos autores chamam de injustiça ambiental, ou seja, a constatação de que riscos ambientais recaem desproporcionalmente sobre comunidades historicamente exploradas (BULLARD, 1983). No Brasil, diversos estudos apontam que os mais afetados por eventos extremos são as minorias (relacionadas a questões de cor, classe e gênero) que vivem em regiões periféricas, em condições precárias de moradia e com déficit de infraestrutura urbana e serviços públicos (SILVA, 2022).
Podemos constatar, portanto, que a produção de alimentos de origem animal desempenha um papel central nesse cenário, contribuindo para a concentração de renda, a degradação ambiental e a vulnerabilidade de comunidades mais pobres. O veganismo, por outro lado, valoriza a diversidade alimentar e é um grande aliado do fortalecimento da agricultura familiar e de sistemas produtivos que prezam por práticas ambientalmente amigáveis, como produções orgânicas e agroecológicas. Essas iniciativas, por sua vez, contribuem para o crescimento de economias locais, gerando emprego e renda para comunidades rurais, o que ajuda a reduzir as desigualdades e promover o desenvolvimento sustentável. Além disso, ao incentivar sistemas alimentares baseados em produtos de origem vegetal, o veganismo ajuda a reduzir as emissões de gases do efeito estufa, colaborando para a mitigação do aquecimento global e para a redução da ocorrência de eventos climáticos extremos.
Referências bibliográficas
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Atualmente, cerca de 780 milhões de pessoas sofrem de fome em todo o mundo, o que equivale a 10% da população global (ACTION AGAINST HUNGER, 2023). Além disso, 2,4 bilhões de pessoas enfrentam situações de insegurança alimentar (FAO, 2023). Apesar dos compromissos globais estabelecidos pela Agenda 2030 e pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, essas estatísticas têm piorado nos últimos anos, principalmente após a pandemia da COVID-19 (ibidem, 2023).
Neste contexto, é necessário discutir a adoção do veganismo como uma escolha que pode ir além do âmbito individual e se configurar também como uma questão de justiça alimentar. É fundamental debater essa alternativa em um cenário global de enorme disparidade na distribuição de alimentos já que, enquanto a produção mundial prioriza a nutrição animal para consumo humano, 10% da população do planeta enfrenta a fome.
É importante enfatizar que essa situação não é devido à escassez de produtos, mas sim à desigualdade. Embora haja alimentos em abundância no planeta, sua distribuição desigual resulta em milhões de pessoas passando fome. Para ilustrar essa questão, tem-se que a criação de animais para consumo utiliza 83% das terras agrícolas do mundo, mas fornece apenas 37% das proteínas e 18% das calorias consumidas globalmente (POORE; NEMECEK, 2018).
De acordo com dados da National Geographic Magazine (2024), somente 55% das calorias produzidas pelas plantações mundiais alimentam diretamente as pessoas, enquanto o restante é usado na alimentação de animais para consumo. Além disso, para cada 100 calorias (kcal.) de grãos fornecidas aos animais, obtêm-se cerca de 40 kcal. de leite, 22 kcal. de ovos, 12 kcal. de frango, 10 kcal. de porco e 3 kcal. de carne bovina (ibidem, 2024). Portanto, este processo é extremamente ineficiente. Assim, a adoção de uma alimentação à base de plantas, além de ser muito mais eficaz do ponto de vista energético, também proporciona melhores resultados à saúde do que as dietas à base de animais (BANSAL, 2018).
Do ponto de vista ambiental, o uso excessivo de recursos naturais na pecuária está esgotando a disponibilidade de água e solo necessários para o cultivo de alimentos em países com populações desnutridas (UNEP, 2020). A pecuária também é uma grande responsável pelas emissões de gases de efeito estufa, representando 18% das emissões globais. Além disso, é a principal contribuinte para a conversão de habitats e perda de biodiversidade (INTERNATIONAL AID FOR THE PROTECTION AND WELFARE OF ANIMALS, 2022).
Ao diminuir o consumo de alimentos de origem animal e optar por alimentos veganos, a terra usada para cultivo de ração e pasto poderia ser efetivamente utilizada para plantações, capazes de alimentar mais pessoas (SIGLER et al., 2017). Isso se torna especialmente relevante em um momento em que projeções globais apontam que, até 2050, a população mundial aumentará em 2 bilhões de pessoas (UNITED NATIONS, 2023). Somado a isso, pesquisas indicam que a demanda por alimentos de origem animal, como carne e laticínios, deve crescer quase 70% entre 2010 e 2050, com a maior parte da demanda vindo de países em desenvolvimento (WORLD RESOURCES INSTITUTE, 2019). Levando em consideração que a carne bovina requer 20 vezes mais terra e emite 20 vezes mais gases de efeito estufa por grama de proteína comestível do que proteínas vegetais comuns, como feijão, ervilhas e lentilhas (WORLD RESOURCES INSTITUTE, 2018), uma mudança no padrão alimentar mundial se mostra urgente.
Do ponto de vista ético, a exploração animal para o consumo humano também levanta sérios questionamentos sobre o sofrimento e morte de bilhões de animais anualmente. Somado a isso, há a questão do descaso com trabalhadores do setor, já que existe uma notável relação entre a indústria da carne e o trabalho escravo contemporâneo no Brasil, que é o maior exportador de carne bovina do mundo (REPÓRTER BRASIL, 2021). E, por fim, há a fome e insegurança alimentar imposta a uma grande parte da população mundial, que deixa de ter acesso a alimentos em detrimento da nutrição de animais para consumo.
Diante dessa realidade, a adoção de uma alimentação vegana, juntamente com iniciativas governamentais que incentivem tal transição, surge como uma solução viável e urgente para promover a justiça alimentar e alcançar o ODS 2. Em suma, uma mudança global na alimentação, focada em produtos vegetais nutritivos e acessíveis, tem o potencial de combater a desigualdade na distribuição de alimentos, contribuir para um uso mais sustentável dos recursos naturais e garantir segurança alimentar e saúde para todos.
Referências bibliográficas:
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O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 busca assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades. No entanto, a prevalência de uma dieta rica em alimentos de origem animal se caracteriza como um obstáculo significativo para o alcance dessa meta, exigindo reflexões e ações urgentes.
As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) representam um dos maiores desafios à saúde pública global no século XXI. Entre as principais DCNTs estão hipertensão, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, entre outras. Essas doenças impactam significativamente a qualidade de vida e acarretam altos custos para os sistemas de saúde. Hábitos alimentares inadequados são um dos principais fatores de risco para o surgimento e agravamento de tais condições. Um estudo recente publicado por pesquisadores da USP revela que, no Brasil, cerca de 57 mil mortes prematuras (ou seja, mortes de pessoas de 30 a 69 anos) por ano são atribuíveis à má alimentação, o que representa 10,5% das mortes totais e 22% das mortes por DCNTs no país (NILSON et al., 2022).
Diversos estudos científicos confirmam a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados de baixa qualidade nutricional – geralmente com alto teor de açúcares, gorduras trans, sódio e aditivos alimentares – e o aumento do risco de DCNTs (LANE et al., 2021, RAUBER et al., 2018). A ingestão elevada de gorduras saturadas, provenientes principalmente de alimentos de origem animal, além do consumo de carne vermelha e processada também são prejudiciais pois aumentam as chances de diabetes tipo 2, doenças cardíacas, hipertensão, infartos, alguns tipos de câncer e morte precoce. Em consonância com as evidências científicas, em 2018 a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classificou carnes vermelhas e processadas como cancerígenas. Por outro lado, uma alimentação baseada em vegetais está ligada a um estilo de vida mais saudável e à redução do risco de doenças crônicas (ALEIXO et al., 2020).
A UNEP (2023) apontou que há uma tendência global de consumo de alimentos prejudiciais à saúde, já que dietas tradicionais, baseadas em alimentos naturais e pouco processados, estão sendo cada vez mais substituídas por dietas ricas em alimentos ultraprocessados de baixa qualidade nutricional, causando impactos alarmantes para a saúde humana e o meio ambiente. Este fenômeno está associado à globalização e à intensificação dos sistemas alimentares, juntamente com a urbanização, o crescimento econômico e a expansão de mercados controlados por corporações transnacionais. Como consequência, observamos a prevalência de uma dieta ‘ocidentalizada’, caracterizada pelo alto consumo de alimentos de origem animal, produtos ultraprocessados, grãos refinados, açúcares e gorduras (ibidem, 2023).
Diante dessa realidade preocupante, é essencial incentivar dietas mais saudáveis e sustentáveis que minimizem o consumo desses alimentos. Nesse sentido, a adoção de uma alimentação vegana surge como uma medida promissora para garantir a saúde da população e do meio ambiente, alinhando-se ao ODS 3 – Saúde e Bem-Estar ao prevenir uma série de doenças e garantir um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Vale ressaltar que o consumo de animais, além de estar associado a doenças crônicas não transmissíveis, gera diversos outros impactos negativos à saúde humana e ao meio ambiente. Isso ocorre já que os animais frequentemente são confinados em condições de superlotação e insalubres (HUMANE FOUNDATION, 2024). Tais circunstâncias, juntamente com as alterações do uso do solo resultantes da pecuária, promovem a propagação de uma série de doenças zoonóticas. Essa situação, evidenciada por pandemias como a gripe suína, gripe aviária e a COVID-19, afeta seriamente o bem-estar social e demonstra que a saúde humana está fortemente ligada à saúde animal e ao nosso ambiente compartilhado. Portanto, o consumo de animais, a exploração da vida selvagem e o desmatamento ameaçam seriamente a saúde e o bem-estar humano e planetário (CENTER FOR BIOLOGICAL DIVERSITY, 2024).
Importante enfatizar que a pecuária afeta a saúde humana também por meio da contaminação dos recursos hídricos. A agricultura é o setor que mais consome água, representando cerca de 70% de toda a água utilizada no mundo (WORLD BANK, 2022). Deste total, estima-se que a produção de carnes e laticínios seja responsável por aproximadamente 40% das demandas de água da agricultura (HEINKE et al., 2020). Os resíduos animais, bem como os fertilizantes e agrotóxicos usados nas plantações que os alimentam, são repletos de substâncias que escoam para corpos hídricos, o que resulta na poluição de lençóis freáticos e afeta a disponibilidade de água limpa (BURCH et al., 2021). Além de poluição, este fenômeno desencadeia um processo chamado eutrofização, que conduz à formação de “zonas mortas” – áreas onde a vida aquática é praticamente inexistente. A razão para isso são nutrientes como o nitrogênio e o fósforo, que aceleram o crescimento de florações de algas nocivas. Estas algas consomem o oxigênio da água, tornando-a inóspita para a maioria das formas de vida aquática (FAO, 2018). Tal situação coloca em risco a vida de milhões de pessoas que dependem do mar como fonte de renda.
A poluição do ar gerada pela pecuária é outra fonte de preocupação à saúde humana e ao planeta. Responsável por 14,5 a 20% das emissões globais totais, a pecuária é uma das principais responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa (UNEP, 2023). A transição para dietas à base de plantas poderia reduzir as emissões de GEE relacionadas à alimentação em 49% (ibidem, 2023). Não por acaso, pesquisas recentes afirmam que o consumo de leguminosas em detrimento de alimentos de origem animal é uma forma eficiente de reduzir substancialmente as emissões de GEE e combater as mudanças climáticas (HARWATT et al., 2017).
A resistência a antibióticos se configura como outra grave ameaça à saúde humana que está associada ao consumo de animais (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2022). O uso contínuo de antibióticos em animais de fazendas industriais (bem como em peixes na piscicultura em lagoas abertas) está levando ao surgimento de uma série de bactérias resistentes, tornando tratamentos comuns com antibióticos ineficazes. A pecuária industrial intensiva faz uso rotineiro de altos níveis de antibióticos, sendo que 75% da produção mundial deste medicamento destina-se à pecuária. Animais, incluindo suínos e frangos, são submetidos ao uso indiscriminado e irresponsável de antibióticos para promover crescimento acelerado e ocultar problemas de bem-estar animal. Como resultado, aproximadamente 1,27 milhão de pessoas morrem anualmente de infecções resistentes a antibióticos. Estima-se que este número aumente para 10 milhões até 2050 (WORLD ANIMAL PROTECTION, 2022).
Na contramão do alto consumo de alimentos ultraprocessados e de origem animal estão as regiões denominadas “Zonas Azuis”, áreas onde as pessoas têm maior expectativa de vida e, na média, vivem com boa saúde (KASSAM et al., 2021). Atualmente, existem cinco Zonas Azuis: Loma Linda na Califórnia, Ikaria na Grécia, a ilha da Sardenha, Okinawa no Japão e a Península de Nicoya na Costa Rica. Essas regiões compartilham uma série de fatores de estilo de vida comuns. Em relação à dieta, eles seguem predominantemente uma alimentação à base de plantas, composta por frutas, vegetais, legumes, grãos integrais, nozes e sementes minimamente processados. Nessas regiões, alimentos derivados de animais são consumidos raramente (ibidem, 2021).
Fica claro, portanto, que a saúde e o bem-estar dos animais, das pessoas e do planeta são interdependentes. A precariedade da saúde animal e do bem-estar na pecuária industrial intensiva afeta negativamente a saúde pública, a segurança alimentar e o meio ambiente. Logo, para alcançar e promover o ODS 3 – Saúde e Bem-estar, a adoção de uma alimentação vegana é uma estratégia crucial. Esta medida combate doenças crônicas, promove a sustentabilidade, preserva a biodiversidade e garante a saúde e a dignidade dos seres humanos e dos animais.
Referências bibliográficas:
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O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 busca garantir uma educação de qualidade que seja inclusiva e equitativa para todos, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida. Contudo, a exploração animal, que é profundamente enraizada em nossa sociedade, apresenta obstáculos significativos para atingir esse objetivo.
Um dos principais desafios para alcançar o ODS 4 é o trabalho infantil. Em comunidades que dependem de atividades agropecuárias, crianças são frequentemente retiradas da escola para trabalhar no campo, seja cultivando produtos para o gado ou cuidando diretamente dele, comprometendo assim seu acesso à educação. Isso limita suas oportunidades de desenvolvimento e perpetua o ciclo da pobreza (FAO, 2022).
Dados da FAO (2020) mostram que, em nível global, o setor agrícola concentra a maior parte do trabalho infantil (71%), com cerca de 108 milhões de crianças envolvidas na produção de culturas, pecuária, silvicultura, pesca ou aquicultura. No Brasil, a cadeia produtiva da agropecuária absorve diretamente o trabalho de mais de um milhão de crianças e adolescentes entre cinco e 17 anos (TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 12ª REGIÃO, 2019). Este número equivale a 30% da população ocupada nesta faixa etária (3,3 milhões). Dentre as principais atividades econômicas dos estabelecimentos agropecuários onde há crianças e adolescentes com menos de 14 anos trabalhando, destacam-se as atividades da pecuária e criação de outros animais, com 46,8% (FNPETI, 2020). Ou seja, a criação de animais para consumo contribui para o trabalho infantil e prejudica o acesso à educação de qualidade.
Por outro lado, notamos a perpetuação de um modelo educacional que reforça a exploração animal. A educação tradicional muitas vezes apresenta uma visão especista, na qual animais são considerados seres inferiores, vistos como meros recursos ou ferramentas que estariam à disposição do ser humano. Esta perspectiva normaliza a exploração animal e impede o desenvolvimento de uma relação ética e compassiva com seres não-humanos.
Estudos indicam que crianças e animais compartilham uma compaixão instintiva inerente (SEPPÄLÄ, 2013). No entanto, influências culturais podem entrar em conflito com essa compaixão e empatia inatas das crianças, levando ao aprendizado de uma indiferença moral seletiva para com seres não-humanos (WILKS et al., 2020). Além disso, nas escolas, a ausência de conteúdos que abordem os impactos da exploração animal no meio ambiente e na saúde humana perpetua a ignorância sobre o tema. Esta lacuna educacional impede o desenvolvimento de um senso crítico sobre as relações que mantemos com os animais.
Nesse contexto, o veganismo se apresenta como uma poderosa ferramenta para transformar a educação e alcançar o ODS 4. Os benefícios do veganismo para a educação se relacionam à promoção de uma educação ética e compassiva que exalta valores como a empatia e o respeito por todos os seres vivos, preparando os alunos para serem cidadãos conscientes e engajados na construção de um mundo melhor, mais justo e menos violento.
Referências bibliográficas:
FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION – FAO. Dia Mundial contra o Trabalho Infantil: Fortalecendo os Esforços para Prevenir o Aumento do Trabalho Infantil na Agricultura. Disponível em <https://www.fao.org/sao-tome-e-principe/noticias/detail-events/es/c/1294265/#:~:text=Mesmo%20antes%20da%20pandemia%2C%20mais,%2C%20silvicultura%2C%20pecu%C3%A1ria%20e%20colheitas.)>. 16 jun. 2020.
FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION – FAO. FAO adds voice to calls for an end to child labour in agriculture. Disponível em <https://www.fao.org/newsroom/detail/fao-adds-voice-to-calls-for-an-end-to-child-labour-in-agriculture/en>. 17 mai. 2022.
FÓRUM NACIONAL DE PREVENÇÃO E ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL – FNPETI. O trabalho infantil na agropecuária brasileira: uma leitura a partir do Censo Agropecuário de 2017. Disponível em <https://fnpeti.org.br/media/publicacoes/arquivo/publicacao_ti_agro.pdf>, março de 2020.
SEPPÄLÄ, E. Compassion: Our First Instinct. Science shows that we are actually wired for compassion, not self-interest. Disponível em <https://www.psychologytoday.com/us/blog/feeling-it/201306/compassion-our-first-instinct>, 3 jun. 2013.
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 12ª REGIÃO. Agropecuária utiliza trabalho direto de um milhão de crianças e adolescentes, aponta estudo inédito. Disponível em <https://portal.trt12.jus.br/noticias/agropecuaria-utiliza-trabalho-direto-de-um-milhao-de-criancas-e-adolescentes-aponta-estudo#:~:text=Um%20relat%C3%B3rio%20divulgado%20nesta%20quarta,a%2017%20anos%20no%20Brasil.)>, 19 nov. 2019.
WILKS, M. et al. Children Prioritize Humans Over Animals Less Than Adults Do. Psychological Science, 32(1), 27-38. https://doi.org/10.1177/0956797620960398
O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 5 busca alcançar a igualdade de gênero e empoderar mulheres e meninas, erradicando todas as formas de discriminação e violência contra mulheres. Contudo, a luta por um mundo mais justo, igualitário e sem violência de gênero vai além das relações humanas, passando também pelo bem-estar dos animais não-humanos. Ao examinarmos as raízes do sexismo e da exploração animal, encontramos paralelos que revelam como formas de opressão e violência contra mulheres e contra animais estão entrelaçadas.
Isso ocorre porque tanto o sexismo quanto o especismo se baseiam na mesma lógica de dominação. Ou seja, ambos se fundamentam na hierarquização arbitrária de um grupo sobre outro. No sexismo, os homens se colocam em uma posição superior às mulheres, justificando a discriminação, a subordinação e a violência. No especismo, os seres humanos se posicionam no topo da hierarquia das espécies, legitimando o uso e o sofrimento dos animais para seus próprios interesses. Nessa lógica, os animais deixam de ser sujeitos com subjetividade que existem por razões próprias e passam a ser vistos como objetos que existem única e exclusivamente para o ser humano (KO, 2014).
Essa lógica de dominação se manifesta de forma cruel na objetificação, que “consiste em analisar um indivíduo a nível de objeto, sem considerar seu emocional ou psicológico” (BELMIRO et al., 2015). Ou seja, é a redução de um indivíduo à condição de objeto que, teoricamente, poderia ser utilizado para o prazer ou benefício de um grupo específico. No caso das mulheres, a cultura patriarcal transforma seus corpos em objetos de desejo, fazendo com que sua aparência importe mais do que diversos outros aspectos que as definem enquanto indivíduos (LIMA, 2016). Já os corpos de animais são vistos como meras ferramentas para a produção de alimentos, lucro, pesquisa, ou mesmo entretenimento, sendo constantemente submetidos a condições precárias, sofrimento e morte prematura.
A indústria de laticínios expõe de forma clara a interconexão entre sexismo e especismo. As vacas leiteiras são constantemente inseminadas artificialmente para engravidar, separadas de seus filhotes logo após o nascimento e confinadas em ambientes precários e, muitas vezes, insalubres. Essa realidade brutal não apenas causa imenso sofrimento aos animais, mas também reforça a objetificação e a dominação dos corpos femininos. Portanto, apoiar e consumir produtos desta indústria enquanto lutamos contra a cultura de violência de gênero é contraditório.
Complementarmente, a crueldade contra animais e a violência contra pessoas têm algo em comum: ambas as vítimas são seres vivos, capazes de sentir dor e experimentar sofrimento. Não por acaso, conforme apontado por Hodges (2008), já foi estabelecida uma correlação entre o abuso de animais, a violência familiar e outras formas de violência comunitária. Diversas pesquisas indicam que pessoas que cometem atos de crueldade contra animais raramente se limitam a isso. Pessoas que abusam de seus cônjuges ou filhos frequentemente já causaram danos a animais no passado. Logo, pessoas que maltratam animais podem também representar uma ameaça para outros seres humanos. Um estudo de 2017 mostrou que 89% das mulheres que possuíam animais de companhia durante um relacionamento abusivo relataram que seus animais foram ameaçados, prejudicados ou mortos por seu parceiro abusivo (BARRETT et al., 2020). Não por acaso, muitos abrigos de violência doméstica aceitam cães e outros animais de companhia. Está provado que as mulheres tendem a não deixar seus parceiros abusivos se elas não podem levar seus companheiros animais com elas, pois temem pela vida de seus animais de estimação.
Ao reconhecer essas conexões, o veganismo se transforma em mais do que uma simples escolha alimentar, tornando-se um posicionamento ético crucial na luta por um mundo mais justo para animais humanos e não-humanos. O veganismo, ao se recusar a participar da exploração animal, se torna uma ferramenta poderosa na construção de um mundo mais justo e igualitário para todos os seres sencientes.
Referências bibliográficas:
BARRETT, B. et al. Animal Maltreatment as a Risk Marker of More Frequent and Severe Forms of Intimate Partner Violence. In: J Interpers Violence. 35(23-24), p. 5131 – 5156, 2020. doi: 10.1177/0886260517719542.
BELMIRO, D. et al. Empoderamento ou Objetificação: Um estudo da imagem feminina construída pelas campanhas publicitárias das marcas de cerveja Devassa e Itaipava. In: XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Rio de Janeiro, 2015. Disponível em <https://portalintercom.org.br/anais/nacional2015/resumos/R10-1863-1.pdf>, acesso em jun. 2024.
HODGES, C. The Link: Cruelty to Animals and Violence Towards People. In: Michigan State University College of Law, 2008. Disponível em <https://www.animallaw.info/article/link-cruelty-animals-and-violence-towards-people>, acesso em jun. 2024.
KO, A. 5 Reasons Why Animal Rights Are A Feminist Issue. In: Everyday Feminism. Disponível em <https://everydayfeminism.com/2014/12/animal-rights-feminist-issue/> 30 dez. 2014.
LIMA, I. O que é objetificação da mulher? In: Politize! Disponível em <https://www.politize.com.br/o-que-e-objetificacao-da-mulher/> 11 fev. 2016.
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 busca assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e do saneamento para todas e todos (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2025). Garantir água limpa e saneamento adequado é um pilar para a saúde pública, a dignidade humana e a proteção ambiental. No entanto, o sistema alimentar predominante, baseado na produção animal, representa um entrave relevante para o alcance dessa meta, tanto pelo consumo excessivo de água quanto pela poluição generalizada dos recursos hídricos.
A atividade agropecuária representa 92% da pegada hídrica mundial (HOEKSTRA; MEKONNEN, 2012). Esta pegada hídrica é um indicador que mede o volume total de água doce utilizada, direta e indiretamente, na produção de bens e serviços ou pelo consumo de pessoas, comunidades e empresas. Da demanda hídrica agrícola, pesquisas indicam que aproximadamente 40% é destinada à produção de carne e laticínios (HEINKE et al., 2020). Portanto, a pecuária constitui uma das atividades humanas com maior consumo de água no planeta.
A análise da pegada hídrica de diferentes alimentos revela a dimensão do problema: a carne bovina pode consumir mais de 15.000 litros de água por quilograma (MEKONNEN; HOEKSTRA, 2010a). Em comparação, leguminosas necessitam menos de 4.000 litros de água por quilograma em média (MEKONNEN; HOEKSTRA, 2010b). Essa grande diferença ocorre principalmente devido à enorme quantidade de água usada para irrigar as lavouras de grãos destinadas à alimentação animal.
Além disso, a pecuária representa uma importante fonte de contaminação hídrica, afetando a qualidade e segurança da água. Os dejetos de fazendas industriais, com alta concentração de nitrogênio, fósforo e patógenos como E. coli e Salmonella, escorrem para rios e lagos, provocando a eutrofização, ou seja, um processo onde algas se proliferam, consomem o oxigênio disponível e criam “zonas mortas” aquáticas. Esta poluição aumenta os custos e a complexidade do tratamento da água para consumo humano, sobrecarregando os sistemas de saneamento.
Outro grave problema é a contaminação química. O uso intensivo de agrotóxicos nas lavouras de ração polui os corpos d’água com substâncias tóxicas. Adicionalmente, a utilização massiva de antibióticos na pecuária, seja para tratar doenças ou para promover o crescimento acelerado dos animais, tornou-se uma das principais causas da resistência antimicrobiana, uma crise de saúde pública global segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esses fármacos não são totalmente metabolizados pelos animais e são excretados no ambiente, contaminando o solo e a água e transformando ecossistemas em incubadoras de “superbactérias” (WORLD ANIMAL PROTECTION, 2022).
Nesse contexto, o veganismo surge como uma solução sistêmica e eficaz. A adoção de uma alimentação baseada em plantas reduz drasticamente a pegada hídrica individual e coletiva. Estudos indicam que uma transição global para dietas veganas poderia diminuir o uso de água na produção de alimentos em até 54% (SCARBOROUGH et al., 2023). Ao mesmo tempo, essa mudança atua diretamente na prevenção da poluição, eliminando a principal fonte de dejetos animais, reduzindo a demanda por agrotóxicos e freando o uso indiscriminado de antibióticos na agropecuária.
Portanto, promover sistemas alimentares baseados em vegetais é uma estratégia fundamental e indispensável para aliviar a pressão sobre os recursos hídricos, garantir a qualidade da água e acelerar o cumprimento do ODS 6. É uma escolha que impacta positivamente a saúde do planeta e assegura o direito à água potável e ao saneamento para todos.
Referências Bibliográficas:
HEINKE, J. et al. Water Use in Global Livestock Production—Opportunities and Constraints for Increasing Water Productivity. In: Water Resources Research, v. 56, n.12, 2020. https://doi.org/10.1029/2019WR026995
HOEKSTRA, A. Y.; MEKONNEN, M.M. The water footprint of humanity. Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A. 109 (9) 3232-3237, 2012. https://doi.org/10.1073/pnas.1109936109.
MEKONNEN, M. M.; HOEKSTRA, A. Y. The green, blue and gray water footprint of farm animals and animal products. Research Report Series n. 48. 2010a. Disponível em: https://www.waterfootprint.org/resources/Report-48-WaterFootprint-AnimalProducts-Vol1.pdf. Acesso: ago. 2025.
MEKONNEN, M. M.; HOEKSTRA, A. Y. The green, blue and grey water footprint of crops and derived crop products. Volume 1: Main Report, 2010b. Disponível em: https://www.waterfootprint.org/resources/Report47-WaterFootprintCrops-Vol1.pdf Acesso: ago. 2025.
NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6: Água Potável e Saneamento. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/6. Acesso: ago.. 2025.
SCARBOROUGH, P. et al. Vegans, vegetarians, fish-eaters and meat-eaters in the UK show discrepant environmental impacts. In: Nature Food, volume 4, 565–574, 2023. https://doi.org/10.1038/s43016-023-00795-w
WORLD ANIMAL PROTECTION. Pecuária industrial intensiva: fábrica de bactérias multirresistentes, 2022. Disponível em https://www.worldanimalprotection.org.br/siteassets/documents/sistemas-alimentares/relatorio-pecuariaindustrial-intensiva-fabrica-de-bacterias-multirresistentes.pdf. Acesso: ago. 2025.
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 da Agenda 2030 visa assegurar o acesso universal a serviços de energia modernos, aumentar a participação de fontes renováveis e duplicar a eficiência energética (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015). No debate público e político, o foco para alcançar essas metas recai sobre os setores de transporte e a geração de eletricidade. Contudo, há um terceiro pilar, frequentemente subestimado, mas de impacto profundo: o sistema alimentar global.
Dentro deste sistema, a pecuária industrial emerge como um dos subsetores mais energeticamente intensivos. O modelo alimentar hegemônico, baseado na exploração animal, constitui uma barreira estrutural à concretização do ODS 7. Em contrapartida, a transição para dietas baseadas em plantas é uma estratégia sistêmica para reduzir a demanda energética e liberar os recursos necessários para uma transição energética limpa, justa e em larga escala.
A pecuária moderna é estruturalmente dependente da economia dos combustíveis fósseis. O consumo direto de energia inclui o diesel para maquinário e transporte, além da eletricidade para climatização de instalações e sistemas de ordenha (VEERMÄE et al., 2012). No Brasil, o diesel responde por 73% da energia consumida diretamente na agropecuária (FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 2024). Adicionalmente, a logística de transporte de animais vivos e de seus insumos consome enormes quantidades de combustíveis fósseis. Frequentemente, a ração é produzida em um continente para alimentar animais em outro, e os próprios animais são transportados por longas distâncias por via terrestre e marítima, um processo energeticamente intensivo.
O consumo indireto do setor, ou “energia embutida”, é ainda mais expressivo, destacando-se na produção de fertilizantes nitrogenados sintéticos para ração. A síntese de amônia pode consumir entre 3% e 5% de toda a produção global de gás natural (HEINRICH-BÖLL-STIFTUNG, 2022). Esse processo transforma combustíveis fósseis em insumos agrícolas que sustentam um sistema alimentar insustentável (CENTER FOR INTERNATIONAL ENVIRONMENTAL LAW, 2022). A ineficiência biológica de alimentos de origem animal agrava o quadro: para cada 100 quilocalorias de grãos fornecidas aos animais, obtêm-se, em média, apenas 3 kcal de carne bovina, 10 kcal de carne de porco e 12 kcal de carne de frango, desperdiçando a vasta energia fóssil investida (FOLEY, 2024).
A conexão entre nossos sistemas alimentares e energéticos é inegável. A pecuária industrial, com sua dependência estrutural de combustíveis fósseis e sua ineficiência na conversão de recursos, representa um obstáculo fundamental ao progresso do ODS 7. Em contrapartida, a transição para dietas baseadas em plantas emerge como uma das estratégias mais eficazes e abrangentes para alinhar nosso sistema alimentar aos objetivos de um futuro energético limpo. A escolha por uma alimentação baseada em vegetais deixa de ser apenas um ato de consumo individual para se tornar uma ferramenta estratégica de política pública: uma ação tangível que indivíduos, comunidades e governos podem adotar para acelerar a transição para um futuro energético acessível, limpo e justo para todos.
Referências bibliográficas
CENTER FOR INTERNATIONAL ENVIRONMENTAL LAW. Fossils, Fertilizers, and False Solutions: How Laundering Fossil Fuels in Agrochemicals Puts the Climate and the Planet at Risk. 2022. Disponível em: https://www.ciel.org/reports/fossil-fertilizers/. Acesso em: 19 set. 2025.
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Agronegócio responde por 29% da energia renovável no Brasil, aponta estudo da FGV. Portal FGV, 2024. Disponível em: https://portal.fgv.br/noticias/agronegocio-responde-por-29-da-energia-renovavel-no-brasil-aponta-estudo-da-fgv. Acesso em: 21 set. 2025.
HEINRICH-BÖLL-STIFTUNG. Cresce o foco em sistemas alimentares baseados em combustíveis fósseis. Boell Brasil, 16 nov. 2022. Disponível em: https://br.boell.org/pt-br/2022/11/16/cresce-o-foco-em-sistemas-alimentares-baseados-em-combustiveis-fosseis. Acesso em: 21 set. 2025.
FOLEY, J. Feeding 9 Billion. National Geographic Magazine, 2024. Disponível em: https://www.nationalgeographic.com/foodfeatures/feeding-9-billion/. Acesso em: 21 set. 2025.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em: 19 set. 2025.
VEERMÄE, I. et al. Energy consumption in animal production. Estonian University of Life Sciences, 2012. Disponível em: https://enpos.weebly.com/uploads/3/6/7/2/3672459/energy_consumption_in_animal_production.pdf. Acesso em: 21 set. 2025.
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8 busca promover crescimento econômico inclusivo, emprego pleno e trabalho decente para todos (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2024). Suas metas incluem a erradicação do trabalho forçado e a proteção dos direitos trabalhistas. Contudo, o sistema alimentar baseado na exploração animal representa um obstáculo estrutural a esse objetivo, perpetuando violações trabalhistas que não são falhas isoladas, mas características intrínsecas de um modelo focado na maximização do lucro.
A cadeia de produção de carnes, laticínios e ovos é marcada por condições que violam sistematicamente os princípios do trabalho decente, desde a criação dos animais até o abate. Os frigoríficos ilustram dramaticamente essa precarização. No Brasil, o setor de abate de animais lidera os índices de acidentes de trabalho (REPÓRTER BRASIL, 2024). O ritmo acelerado essencial para a lucratividade, os problemas ergonômicos, o ruído, as temperaturas extremas e a pouca ventilação são alguns dos fatores que resultam em taxas alarmantes de lesões por esforços repetitivos, mutilações e doenças incapacitantes. O impacto psicológico é igualmente devastador. Estudos demonstram que trabalhadores de matadouros apresentam taxas significativamente elevadas de depressão e ansiedade (MERCY FOR ANIMALS, 2022; SLADE; ALLEYNE, 2022). Essas condições não são acidentais: decorrem diretamente de um modelo que exige alta velocidade e minimização dos custos trabalhistas.
A situação na pecuária bovina agrava o cenário. Entre 1995 e 2022, o setor foi responsável por 46% de todos os trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão no Brasil (ENVIRONMENTAL JUSTICE FOUNDATION, 2023). Em fazendas remotas, trabalhadores vulneráveis são submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes e servidão por dívida. Na indústria pesqueira, relatos de trabalho forçado e tráfico de pessoas revelam trabalhadores presos em embarcações por longos períodos em condições desumanas (NOAA, 2020).
Além das violações trabalhistas, o modelo animal é economicamente ineficiente. A pecuária brasileira ocupa 64% da área rural, mas contribui com apenas 17% do valor bruto da produção agrícola, ou seja, uma produtividade extremamente baixa (BARRETO; PEREIRA, 2024). Em contraste, a agricultura familiar, ocupando 23% da área total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros, emprega 67% da mão de obra agrícola e é responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa, sendo muito mais eficiente na geração de empregos (EMBRAPA, 2019).
Logo, a transição para um sistema alimentar baseado em plantas alinha crescimento econômico com justiça social. O mercado à base de plantas está em expansão, impulsionando inovação, atraindo investimentos e criando oportunidades de negócio. Não por acaso, modelos econômicos indicam criação líquida de empregos com essa transição (FAUNALYTICS, 2024). Fundamentalmente, trata-se de uma melhora qualitativa: os empregos perdidos na pecuária e frigoríficos (perigosos e psicologicamente danosos) poderiam ser substituídos por postos mais seguros, qualificados e bem remunerados em biotecnologia, engenharia de alimentos e agricultura regenerativa. Trata-se de uma troca de “trabalho precário” por “trabalho decente”. Essa transição fortaleceria a agricultura familiar e promoveria práticas que regeneram o meio ambiente, criando empregos de melhor qualidade no campo.
As evidências demonstram que a indústria de produção animal é estruturalmente incompatível com as aspirações do ODS 8. A escolha por uma alimentação vegana impulsiona um setor econômico inovador, com potencial para gerar empregos de qualidade e promover uma agricultura que valoriza a dignidade humana. Para que essa mudança se concretize de forma justa, é imperativo que políticas públicas de transição justa sejam implementadas, apoiando os trabalhadores e as comunidades dependentes da pecuária com requalificação profissional e incentivos para a conversão de suas atividades. A responsabilidade é compartilhada entre consumidores, Estado e empresas para construir um sistema alimentar onde o trabalho decente seja a realidade, não a exceção.
Referências bibliográficas
BARRETO, P.; PEREIRA, R. Lições da Expansão da Pecuária Bovina no Brasil (2000-2023) para uma Produção Sustentável e Eficiente. Amazônia 2030, Fevereiro 2024. Disponível em: https://imazon.org.br/wp-content/uploads/2025/03/Licoes-da-expansao-da-pecuaria-bovina-no-Brasil.pdf. Acesso em: out. 2025.
BEYOND CRUELTY. SDG8-Economic Growth. 2023. Disponível em: https://beyondcruelty.org/sdg8-economic-growth/. Acesso em: out. 2025.
CNTA. CNTA alerta para a proteção de gestantes em frigoríficos. 2023. Disponível em: https://radiopeaobrasil.com.br/cnta-alerta-para-a-protecao-de-gestantes-em-frigorificos/. Acesso em: 10 out. 2025.
EMBRAPA. Agricultura Familiar. 2019. Disponível em: https://www.embrapa.br/tema-agricultura-familiar/sobre-o-tema. Acesso: out. 2025.
ENVIRONMENTAL JUSTICE FOUNDATION. Trabalho escravo no setor pecuarista: o caso de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Novembro 2023. Disponível em: https://ejfoundation.org/resources/downloads/Trabalho-escravo-no-setor-pecuarista-o-caso-de-Mato-Grosso-e-Mato-Grosso-do-Sul.pdf. Acesso em: out. 2025.
FAUNALYTICS. The Economic Impacts of a Shift to Plant-Based Foods in the United States. 2024. Disponível em: https://faunalytics.org/plant-based-economic-impacts/. Acesso em: 10 out. 2025.
MERCY FOR ANIMALS. Trabalhadores de frigoríficos têm três vezes mais depressão. 2022. Disponível em: https://mercyforanimals.org.br/blog/trabalhadores-de-frigorificos-tem-tres-vezes-mais-depressao/. Acesso em: out. 2025.
NAÇÕES UNIDAS BRASIL. ODS 8: Trabalho Decente e Crescimento Econômico. 2024. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/8. Acesso em: out. 2025.
NOAA. Forced labor and the Seafood Supply Chain. 2020. Disponível em: https://www.fisheries.noaa.gov/international/international-affairs/forced-labor-and-seafood-supply-chain. Acesso em: out. 2025.
REPÓRTER BRASIL. Fábricas de acidentes: condições de trabalho insalubres e inseguras nos frigoríficos brasileiros. Julho 2024. Disponível em: https://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/2024/07/Fabricas-de-acidentes.pdf. Acesso em: out. 2025.
SLADE, J.; ALLEYNE, E. The Psychological Impact of Slaughterhouse Employment: A Systematic Literature Review. Trauma, Violence, & Abuse, v. 24, n. 2, p. 429-440, 2021.
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 9 da Agenda 2030 visa construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2024). Embora este ODS seja frequentemente associado a setores como transporte e telecomunicações, o sistema alimentar global também representa uma indústria extremamente relevante, tornando-o campo crítico para a realização deste objetivo.
A pecuária industrial exemplifica o fracasso em atender às exigências do ODS 9. Utilizando 83% das terras agrícolas mundiais para fornecer apenas 18% das calorias globais (POORE; NEMECEK, 2018), o setor demanda uma vasta rede de infraestrutura para transportar ração e animais. Essa estrutura massiva foi construída para servir a um modelo industrial já ultrapassado, incompatível com as metas de sustentabilidade atuais. Além da ineficiência espacial, as cadeias de suprimentos de proteína animal são longas e frágeis. Essa fragilidade contrasta com sistemas alimentares localizados e descentralizados, que demonstraram resiliência superior durante crises (IPES-FOOD, 2022), evidenciando o fracasso da pecuária em atender à meta de construção de infraestruturas resilientes.
O ODS 9 também exige modernização industrial com eficiência de recursos e tecnologias limpas (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2024), mas a pecuária opera na direção oposta, gerando emissões significativas de gases de efeito estufa e poluição massiva por dejetos que contaminam recursos hídricos. Mais grave ainda é a atuação do complexo industrial da carne como obstáculo ativo à inovação. No Brasil, o lobby do setor tem sido eficaz em garantir isenções fiscais e blindar-se de tributação justa (WORLD ANIMAL PROTECTION, 2025), utilizando seu poder para “confundir e atrasar a regulamentação” de suas atividades prejudiciais (BEYOND CRUELTY, 2025). Quando o lobby da indústria da carne consegue subsídios governamentais, ele distorce a competição no mercado, reduzindo os incentivos para investimentos em alternativas mais sustentáveis e tecnologicamente avançadas.
Em contraste, o setor de proteínas alternativas representa a vanguarda da inovação industrial alinhada ao ODS 9, abrangendo desde produtos plant-based até agricultura celular e fermentação de precisão (THE GOOD FOOD INSTITUTE, 2024). No Brasil, o mercado plant-based apresentou crescimento de 42% em 2022 e faturamento próximo a R$1 bilhão (EUROMONITOR INTERNATIONAL, 2023). A transição da pecuária para proteínas alternativas representa um salto em eficiência. Essa nova infraestrutura pode ser descentralizada e localizada próxima aos centros de consumo, criando cadeias de suprimentos mais curtas e resilientes (IPES-FOOD, 2022).
Isso posto, tem-se que, enquanto o sistema pecuário obstrui o ODS 9, o ecossistema vegano funciona como motor para seu avanço. A promoção de um sistema produtivo baseado em vegetais transcende questões éticas e de saúde, configurando-se como estratégia de política industrial inteligente para modernizar a economia, criar empregos qualificados em biotecnologia e construir uma base industrial competitiva. Para acelerar essa transição, governos devem realocar subsídios da pecuária para pesquisa em proteínas alternativas, transformando a escolha vegana em um ato de fomento à indústria, à inovação e à infraestrutura essenciais para um planeta sustentável.
Referências Bibliográficas
BEYOND CRUELTY. SDG9 – Industry Infrastructure. 2025. Disponível em: https://beyondcruelty.org/sdg9-industry-infrastructure/. Acesso em: out. 2025.
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IPES-FOOD. Mercados locais e cadeias alimentares são fundamentais para enfrentar a crise global da fome. 2022. Disponível em: https://ipes-food.org/pt/mercados-locais-e-cadeias-alimentares-sao-fundamentais-para-enfrentar-a-crise-global-da-fome/. Acesso em: out. 2025.
NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 9: Indústria, Inovação e Infraestrutura. 2024. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/9. Acesso em: out. 2025.
POORE, J.; NEMECEK, T. Reducing food’s environmental impacts through producers and consumers. Science, v. 360, n. 6392, p. 987-992, 2018.
THE GOOD FOOD INSTITUTE BRASIL. Carne cultivada no Brasil em 2024: o que esperar após a regulamentação da Anvisa. 2024. Disponível em: https://gfi.org.br/carne-cultivada-no-brasil-em-2024/. Acesso em: out. 2025.
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WORLD ANIMAL PROTECTION. O lobby da carne e o preço da desinformação para a sociedade. 2025. Disponível em: https://www.worldanimalprotection.org.br/mais-recente/noticias/O-lobby-da-carne-e-o-preco-da-desinformacao-para-a-sociedade/. Acesso em: out. 2025.
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 10 visa reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2024) e tem como uma de suas metas promover a inclusão social, econômica e política de todos, independentemente de idade, gênero, deficiência, raça, etnia, origem, religião ou status econômico. A desigualdade de renda é uma das facetas mais evidentes desse desafio: o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) aponta que, globalmente, os 10% mais ricos detêm até 40% da renda mundial, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 2% a 7% (UNDP, [s.d.]).
Nesse contexto, o sistema alimentar hegemônico baseado na exploração animal funciona como motor e perpetuador dessas desigualdades, minando estruturalmente o ODS 10. A indústria da pecuária, aquicultura e laticínios é intrinsecamente desigual: depende de mão de obra com baixos salários, altos riscos à saúde e pressões psicológicas severas (RAMSIER, 2018). Essa exploração recai desproporcionalmente sobre os grupos mais vulneráveis. Em países desenvolvidos, matadouros e instalações de pecuária intensiva dependem fortemente de trabalhadores migrantes sem poder de reivindicar direitos ou compensação justa (CAPPS, 2019). Na indústria pesqueira, a situação é igualmente grave: denúncias frequentes apontam trabalho escravo, com trabalhadores aprisionados em embarcações sem representação ou direitos (FAIRPLANET, 2020; NOAA, [s.d.]).
A desigualdade também se manifesta na concentração de riqueza. Subsídios agrícolas governamentais são frequentemente direcionados para grandes corporações do agronegócio em detrimento de pequenos agricultores locais (ANDRZEJEWSKI, 2018). Isso permite que grandes conglomerados monopolízem terras e oportunidades de emprego, esvaziando a riqueza das economias locais e deixando pouco para as comunidades rurais (LAKHANI, 2021).
A faceta mais perversa dessa desigualdade, porém, é a injustiça ambiental. As instalações de pecuária intensiva são sistematicamente alocadas em áreas de baixa renda, muitas vezes habitadas por minorias étnicas, e não em bairros ricos (HOPE-D’ANIERI, 2022). Essas comunidades marginalizadas são forçadas a arcar com o ônus da poluição do ar e da água gerada pela indústria, enfrentando problemas de saúde, estresse psicológico e perda do bem-estar (FOODPRINT, 2018; NICOLE, 2013).
Em escala global, essa dinâmica explora nações em desenvolvimento. A grilagem de terras para o plantio de ração animal e a abertura de pastagens desloca comunidades indígenas e camponesas de seus territórios (ANSEEUW; BALDINELLI, 2020; WEST et al., 2022). Paralelamente, indústrias poluentes como a do couro são terceirizadas para países com regulamentações frouxas, explorando mão de obra barata e deixando um rastro de contaminação (TARANTOLA, 2014).
Diante desse cenário, o veganismo oferece uma ferramenta poderosa para combater essas desigualdades ao propor uma reestruturação do sistema alimentar com foco em plantas. Ao reduzir drasticamente a demanda por terra para ração e pasto, um sistema alimentar baseado em plantas alivia a pressão sobre territórios indígenas e camponeses, abrindo espaço para a soberania alimentar e a agricultura familiar.
De forma mais direta, a transição para dietas à base de plantas elimina a principal fonte de poluição que aflige desproporcionalmente as comunidades marginalizadas, configurando-se como medida concreta de justiça ambiental. Economicamente, essa transição fomenta um sistema alimentar que não depende da exploração sistêmica de trabalhadores vulneráveis em matadouros ou da escravidão na indústria pesqueira.
Torna-se evidente, portanto, que o modelo de produção animal é estruturalmente incompatível com as metas do ODS 10. A promoção de uma alimentação vegana, apoiada por políticas públicas, transcende a escolha individual: constitui uma estratégia sistêmica essencial para desmantelar hierarquias de exploração e construir um futuro verdadeiramente justo e equitativo.
Referências bibliográficas
ANDRZEJEWSKI, A. Mapping the U.S. Farm Subsidy $1M Club. Forbes, 14 ago. 2018. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/adamandrzejewski/2018/08/14/mapping-the-u-s-farm-subsidy-1-million-club/. Acesso em: 08 nov. 2025.
CAPPS, A. Slaughterhouses Prey on the Most Vulnerable Humans and Nonhumans Alike. Free From Harm, 13 ago. 2019. Disponível em: https://freefromharm.org/animal-products-and-ethics/slaughterhouses-prey-on-vulnerable-humans-and-animals/. Acesso em: 08 nov. 2025.
FAIRPLANET. Trafficking and abuse in the fishing industry. FairPlanet, 30 jul. 2020. Disponível em: https://www.fairplanet.org/story/trafficking-and-abuse-in-the-fishing-industry/. Acesso em: 08 nov. 2025.
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LAKHANI, N. ‘They rake in profits – everyone else suffers’: US workers lose out as Big Chicken gets bigger. The Guardian, 11 ago. 2021. Disponível em: https://www.theguardian.com/environment/2021/aug/11/tyson-chicken-indsutry-arkansas-poultry-monopoly. Acesso em: 08 nov. 2025.
LAND INEQUALITY INITIATIVE. Uneven Ground: Land inequality at the heart of unequal societies. Land Inequality Initiatives Synthesis Report, nov. 2020. Disponível em: https://d3o3cb4w253x5q.cloudfront.net/media/documents/2020_11_land_inequality_synthesis_report_uneven_ground_summary_en_single_page.pdf. Acesso em: 08 nov. 2025.
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TARANTOLA, A. How leather is slowly killing the people and places that make it. Gizmodo, 3 jun. 2014. Disponível em: https://gizmodo.com/how-leather-is-slowly-killing-the-people-and-places-tha-1572678618. Acesso em: 08 nov. 2025.
UNDP. Sustainable development goals: Goal 10 Reduced Inequalities. United Nations Development Programme, [s.d.]. Disponível em: https://www.undp.org/sustainable-development-goals#reduced-inequalities. Acesso em: 08 nov. 2025.
WEST, T. A. et al. Protected areas still used to produce Brazil’s cattle. Conservation Letters, v. 15, n. 6, 2022. https://doi.org/10.1111/conl.12916.