A expansão da pecuária é um dos principais vetores do desmatamento global, com especial incidência nos trópicos. A conversão de áreas florestais em pastagens, impulsionada pela demanda crescente por carne e outros produtos de origem animal, tem dizimado vastas extensões de ecossistemas cruciais para a manutenção do equilíbrio climático e da biodiversidade. Estudos recentes revelam que, globalmente, cerca de 40% do desmatamento deve-se à pecuária. Na América do Sul, esse número sobe para 75%, um dado alarmante que evidencia a urgência de mudanças nas escolhas alimentares da população.
No Brasil, a situação é particularmente crítica, com a pecuária exercendo pressão sobre biomas como a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal. Na Amazônia, por exemplo, dados do MapBiomas revelam que 90% da área desmatada nos últimos 40 anos foi convertida em pastagem. Essa conversão desenfreada ameaça a integridade do bioma que abriga a maior diversidade biológica do planeta e desempenha um papel fundamental na regulação do ciclo hidrológico global, sendo responsável por escoar cerca de 20% de toda a água doce do planeta.
O Cerrado, outro bioma de relevância ímpar, também sofre com a expansão da pecuária. Em 2022, 50% de sua área já estava ocupada pela agropecuária, comprometendo a biodiversidade desse bioma, que abriga 30% das espécies brasileiras.
Já o Pantanal, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera, enfrenta sérias consequências ambientais decorrentes de práticas pecuárias inadequadas, como incêndios de grandes proporções e desmatamentos químicos.
A conversão de florestas em pastagens tem um impacto direto nas emissões de gases de efeito estufa. Em 2021, essa atividade foi responsável por metade das emissões brutas do Brasil, contribuindo significativamente para o aquecimento global.
Além da redução da área total de floresta, a pecuária também promove a fragmentação de habitats, isolando remanescentes florestais em ilhas de vegetação cercadas por pastagens e outras formas de uso da terra. Essa fragmentação altera a estrutura e função dos ecossistemas, comprometendo a biodiversidade e a resiliência dos ecossistemas. Fragmentos menores e mais isolados abrigam menos espécies e são mais vulneráveis a distúrbios externos, como incêndios e secas. A fragmentação florestal é um dos principais motores da perda global de biodiversidade e da degradação de ecossistemas, com impactos que se estendem muito além das áreas diretamente afetadas pela pecuária.
O desmatamento é a conversão de florestas para outros usos da terra, como agricultura, áreas de mineração, áreas urbanas e infraestrutura.
CAUSAS GLOBAIS DO DESMATAMENTO ENTRE 2000 E 2018