Perda da Biodiversidade

A supressão de ecossistemas nativos para dar lugar a monoculturas e pastagens acarreta a destruição e fragmentação de habitats cruciais para a manutenção da biodiversidade. Essa transformação da paisagem leva à perda de espécies, à redução do tamanho das populações e à desarticulação de complexas teias alimentares e interações ecológicas. Espécies endêmicas são particularmente suscetíveis à extinção diante da eliminação de seu habitat natural.

Perda da Biodiversidade

A adoção de sistemas de monocultura, caracterizados pelo cultivo extensivo de uma única espécie vegetal para alimentação animal, promove a homogeneização da paisagem e a simplificação dos ecossistemas agrícolas. Essa redução da diversidade vegetal torna os sistemas produtivos mais vulneráveis a pragas e doenças específicas, demandando a aplicação intensiva de defensivos agrícolas. Tais compostos químicos, além de afetarem negativamente organismos não-alvo, como polinizadores e inimigos naturais de pragas, contaminam o solo e os recursos hídricos, comprometendo a saúde dos ecossistemas aquáticos e terrestres.

Paralelamente, a eutrofização de corpos d’água, resultante do escoamento de fertilizantes e dejetos animais, também contribui para a perda de biodiversidade aquática, alterando a qualidade da água e provocando a proliferação de algas nocivas.

Além dos impactos diretos sobre a biodiversidade, a pecuária exerce uma pressão considerável sobre os recursos naturais. O sobrepastoreio, prática comum em muitas regiões, leva à degradação da vegetação nativa, à compactação do solo, ao aumento da erosão e, em casos extremos, à desertificação. A necessidade de expansão das áreas de pastagem frequentemente impulsiona o desmatamento de florestas e outros ecossistemas naturais, principalmente em regiões tropicais que são habitat de inúmeras espécies. Adicionalmente, a emissão de gases de efeito estufa pelo rebanho, notadamente o metano, contribui significativamente para as mudanças climáticas, que representam uma ameaça adicional à biodiversidade, alterando padrões climáticos, regimes de precipitação e a distribuição geográfica de espécies.

Como consequência desses múltiplos impactos, estamos vivenciando o que os cientistas denominam a sexta grande extinção em massa desde o surgimento da vida na Terra – a primeira causada por uma única espécie, o ser humano. Em 2019, estimou-se que um milhão das cerca de 8 milhões de espécies no mundo estão ameaçadas de extinção. Corroborando esses dados, um estudo publicado pela WWF aponta que houve uma queda de 68% nas populações de espécies de vertebrados monitoradas entre 1970 e 2016.

A literatura científica estima que a proporção de espécies em risco de extinção devido às mudanças climáticas é de 5,2% com um aquecimento de 2°C, aumentando para 16% com um aquecimento de 4,3°C. Portanto, limitar o aquecimento global a menos de 2°C, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris, tem um papel vital na redução dos impactos negativos sobre a natureza e na preservação da biodiversidade. Neste contexto, sistemas alimentares que priorizam a produção de carnes, leites e ovos simplesmente não são compatíveis com o alcance desta meta.

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