Queimadas

A atividade agropecuária é a principal responsável pela perda de áreas naturais no Brasil. Seu avanço está diretamente ligado a queimadas e desmatamento, que transformam florestas em cinzas. Na estação seca, as queimadas são usadas como prática de manejo para abrir espaço para plantações e, principalmente, para pastagens de gado. Esses incêndios destroem áreas naturais em diferentes biomas.

Queimadas

Um levantamento do MapBiomas revelou que, entre janeiro e outubro de 2024, as queimadas no Brasil atingiram uma área equivalente ao estado do Tocantins: cerca de 27,6 milhões de hectares. A vegetação nativa foi a mais afetada, representando 74% da área queimada no período. A Amazônia concentrou mais da metade das queimadas (55%), seguida pelo Cerrado como segundo bioma mais atingido. No Pantanal, a área queimada aumentou 1.017% em relação a 2023. Infelizmente, essa expansão é parte de um processo histórico mais amplo: desde 1985, as áreas de pastagem cresceram 82%, principalmente na Amazônia e no Cerrado. 

Como resultado, nos últimos 40 anos, o fogo consumiu 200 milhões de hectares do território brasileiro. Pode-se concluir que os incêndios são majoritariamente intencionais, visando à expansão de áreas para pastagem e cultivo de soja para ração animal.

Em relação ao clima, o desmatamento e o fogo resultam em um clima inóspito. Observações científicas confirmam efeitos prejudiciais antecipados por modelos climáticos, como a redução drástica da transpiração de florestas, modificações na dinâmica de nuvens e chuvas e o prolongamento da estação seca. Danos causados pela fumaça e fuligem à dinâmica de chuvas, mesmo em áreas não perturbadas, também são observados. A substituição da floresta por pasto degradado pode aumentar a temperatura média da superfície e diminuir a precipitação. A teoria da bomba biótica sugere que a remoção da floresta, o principal agente da transpiração, levaria a uma redução drástica ou cessação da precipitação. Em cenários extremos, isso poderia resultar em savanização ou desertificação de vastas áreas. Além disso, a perda da floresta amazônica também pode afetar o clima em regiões distantes, impactando a agricultura e a geração de energia.

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