Ao converter ecossistemas naturais em pastagens, a pecuária desencadeia um ciclo de perda de nutrientes do solo, com impactos que se estendem além das áreas de pastagem. Este processo inicia-se com a supressão da biodiversidade vegetal, eliminando espécies nativas que contribuem para a ciclagem de nutrientes. Em ambientes naturais, a matéria orgânica acumula-se e decompõe-se gradualmente, liberando nutrientes essenciais para a manutenção da fertilidade do solo. No entanto, a remoção da vegetação nativa e o pastejo intensivo interrompem esse ciclo, resultando em solos compactados, empobrecidos e vulneráveis à degradação.
Essa vulnerabilidade manifesta-se na lixiviação, um processo natural de remoção de nutrientes pela ação da água. A pecuária, ao promover o desmatamento, intensifica a lixiviação, que ocorre de duas formas: superficial, removendo a camada rica em matéria orgânica e a microfauna associada, e profunda, lixiviando nutrientes essenciais das camadas subjacentes do solo. Além disso, o pastejo excessivo e o pisoteio do gado compactam o solo, reduzindo a porosidade e, consequentemente, intensificando o escoamento superficial da água da chuva, o que agrava a lixiviação e acelera a perda de nutrientes. Consequentemente, o solo perde fertilidade, e os nutrientes são transportados para corpos hídricos.
A perda de nutrientes afeta negativamente tanto o solo quanto os ecossistemas aquáticos. Os nutrientes transportados pela erosão e lixiviação desencadeiam a eutrofização, um processo que estimula o crescimento excessivo de algas, prejudica a qualidade da água, reduz a disponibilidade de oxigênio dissolvido e compromete a biodiversidade aquática. A eutrofização também impacta o abastecimento de água potável, exigindo tratamento adicional e aumentando os custos de purificação. A longo prazo, a perda de nutrientes do solo e a eutrofização podem levar à degradação irreversível dos ecossistemas terrestres e aquáticos, comprometendo a produção de alimentos, a saúde humana e a biodiversidade.