Contaminação e Poluição

Em um simpósio global realizado em 2018, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) identificou a pecuária como uma fonte significativa de poluição do solo. A criação de animais para consumo humano representa um desafio particular devido ao volume de esterco gerado. O esterco animal apresenta riscos graves de contaminação por conter altas concentrações de metais pesados, patógenos e resíduos de antibióticos. Esses contaminantes podem se infiltrar no solo e alcançar corpos d’água, prejudicando a qualidade ambiental.

Contaminação e Poluição

A produção de excrementos pela pecuária cresce continuamente com a expansão do setor. Entre 1961 e 2016, a produção global de esterco aumentou 66%, de 73 milhões para 124 milhões de toneladas. A aplicação de esterco nos solos agrícolas também cresceu, passando de 18 milhões para 28 milhões de toneladas no mesmo período.

Ademais, na produção de gado de corte, o uso de fertilizantes nitrogenados sintéticos, ureia e calagem são técnicas amplamente utilizadas para aumentar a produtividade. Essas substâncias, porém, podem desestabilizar a química do solo, contaminando-o e prejudicando a microbiota essencial ao ecossistema.

Já a pecuária industrial intensiva, que confina grandes populações em espaços restritos, traz outro risco: a contaminação do solo com genes de resistência antimicrobiana. O uso constante de antibióticos seleciona bactérias resistentes, que se espalham pelo ambiente através do esterco usado como fertilizante.

Além disso, os resíduos do processo de abate também são fontes importantes de contaminação. Os efluentes líquidos dos abatedouros contém alta carga de matéria orgânica (sangue, gordura, vísceras e restos de carcaças), além de elevadas concentrações de nitrogênio, fósforo e produtos de limpeza.

Por essas razões, as Nações Unidas identificam a contaminação do solo por bactérias multirresistentes e resíduos de antibióticos como uma das principais ameaças da pecuária industrial à saúde pública e ambiental. Esses contaminantes podem atingir águas superficiais, subterrâneas e redes de drenagem, comprometendo também a qualidade da água para consumo humano e vida selvagem.

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